SOPA, PIPA, ACTA e Lei Azeredo: entenda de uma vez por todas
O início de 2012 foi marcado pelas manifestações nas
redes sociais contra o SOPA (Stop Online Piracy Act, ou Lei de Combate à
Pirataria Online), projeto de lei que ainda está em discussão nos Estados
Unidos. Sites importantíssimos como Google, Amazon, WordPress e Wikipédia manifestaram sua opinião contrária e angariaram milhões de
"protestantes" na web com a hashtag #StopSOPA. O buraco da discussão
sobre direitos autorais é bem mais embaixo e é totalmente ligado à
regulamentação da internet, o que não pode ser ignorado de maneira alguma.
Para começar a refletir sobre o assunto, é necessário entender, no mínimo, do
que se trata, não só o SOPA, como também o PIPA, o ACTA e a Lei Azeredo, que
andou esquecida pelos brasileiros por muito tempo e veio à luz nesse novo
cenário. Por isso, resolvi pesquisar para entender um pouco de cada
uma e apresentar o mínimo que precisamos saber sobre cada uma aqui.
Começando pela lei mais famosa: o SOPA, que não conta com o
aval da Casa Branca. O projeto é totalmente apoiado pela Motion PicturesAssociation of America (MPAA) e a Recording Industry Association of America
(RIAA), que alegam incontáveis prejuízos na indústrias cinematográfica e
fonográfica. Aí já começam questionamentos como "filmes e músicas ainda
são ou devem ser produtos?". Esse tipo de pergunta permanece sem resposta,
o que talvez nunca existirá.
Saindo da base e já pensando nos desdobramentos da lei, Clay Shirky, professor
da New York University (NYU), fez uma palestra de emergência no TED. Nela, o pesquisador aponta, entre
outros pontos, o que para mim é o principal efeito: o alcance mundial. Tendo em vista
que o SOPA tramita nos Estados Unidos, a abrangência da lei seria quase que
universal, afinal, grande parte dos principais sites são de lá, como Facebook.
O site francês NASC criou uma ilustração onde é possível ter uma noção, mesmo que tragicômica e
lúdica, desses efeitos. Confira aqui.
Quase sempre atrelado ao SOPA, o PIPA (Protect Intellectual Property Act ou Lei
de Proteção à Propriedade Intelectual), por sua vez, surgiu no Senado dos
Estados Unidos e propõe o combate a sites relacionados à pirataria,
especialmente os hospedados naquele país. A lei é constantemente atacada por
não ser clara em sua redação, principalmente em relação ao significado da
palavra "pirataria", constantemente usada no conteúdo de seu texto.
Para um leitor comum, o PIPA seria apenas um braço do SOPA para punição dos
crimes contra a propriedade intelectual na web.
Partindo de vez para a vigência mundial, temos o ACTA (Anti-Counterfeiting
Trade Agreement ou Acordo Comercial Anti-Falsificação). Esse acordo visa homogeneizar
o combate às violações à propriedade intelectual em todo o planeta. É muito
abrangente, incluindo todo tipo de falsificação (sapatos, bolsas, cigarros, CDs, roupas etc). Ele já foi assinado por muitos países importantes, como o
Japão, os Estados Unidos e 22 países da União Europeia. O ACTA é constantemente
criticado justamente pela sua abrangência e seu caráter mundial, o que
esbarraria na questão de soberania e liberdade que os países possuem ao
tratarem questões polêmicas como a do copyright. Para saber mais sobre o ACTA e
conhecer o movimento contrário a ele, acesse o StopACTA.
Ao contrário do que muita gente imagina, o Brasil não está nem um pouco fora de
toda essa guerra. Desde 1999 temos a Lei Azeredo que permanece engavetada na
Câmara dos Deputados. Ela é totalmente focada nos meios eletrônicos e visa
estabelecer punições para determinados crimes na web, como "interromper ou
perturbar serviço telegráfico, telefônico, informático, telemático ou sistema
informatizado".
Diante dessa breve explicação sobre cada lei, temos que ter em mente que a
internet está entrando na sua fase de maturação e o mercado ainda não sabe
lidar com a sua inacreditável consolidação em tão pouco tempo. Muitas empresas
estão quebrando com isso, enquanto outras estão nascendo. As mais inteligentes
estão renascendo e reaprendendo a lucrar. Uma parcela grande e poderosa está se
recusando em focar os esforços em maleabilidade e ainda teimam em serem guiadas
por padrões analógicos. Elas estão se esquecendo de que não é a tecnologia que
está regendo essas mudanças...
Por Anna Letícia Velasco, estudante de publicidade e propaganda da UFRJ. @velascoanna
Por Anna Letícia Velasco, estudante de publicidade e propaganda da UFRJ. @velascoanna
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